Sábado

Lula responde a FHC e Caetano

O Presidente participou na noite desta sexta-feira,do 12º Congresso do PCdoB. Lula usou parte do tempo de sua fala para rebater as críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).




Lula disse:"Nós não temos a sapiência dos sociólogos. Essa semana fui chamado de analfabeto, de ditador, e nessa mesma semana eu ganhei o título de estadista do ano. Eu compreendo o ódio, o intelectual que está assistindo um operário que só tem o quarto ano primário - e não tenho vergonha de dizer - ganhar tudo o que ele imaginava que pudesse ganhar e não ganhou por incompetência é muito difícil. É muito engraçado, tem gente que acha que a inteligência está ligada à quantidade de anos de estudo que você tem, não tem nada mais burro que isso", - Tem muita gente que acha que inteligência está ligada à universidade. Isso é burro. A universidade não dá nada disso. A política é uma ciência que exige muito mais inteligência. De qualquer forma, a vida é assim. As pessoas falam o que querem e ouvem o que não querem. A vida é dura - disse Lula, que em seguida ironizou quem o chamou de analfabeto.disse o Presidente, fazendo referência também a Caetano Veloso, que o chamou de "analfabeto" em uma entrevista.

O PSDB usa métodos semelhantes aos de Hitler no nazismo.

- Eu peguei duas manchetes de jornais hoje e não sei de qual jornal. Uma dizia: "Contra Lula, o PSDB treina cabos eleitorais no Nordeste" (da "Folha de S. Paulo"). Ou seja, é um pouco o que o Hitler dizia para os alemães pegarem os judeus. Ou seja, vamos treinar gente para não permitir que eles sobrevivam - afirmou Lula.

Um país governado por um analfabeto vai terminar realizando um governo que mais investiu em educação. Vamos terminar nosso governo com 14 novas universidades federais. Estamos fazendo uma vez e meia o que eles não fizeram em um século. Sei que isso é intragável. O Fernando Henrique Cardoso achava que nós seríamos um fracasso e que ele poderia voltar - disse Lula.

Depois de voltar a repetir que "rei morto, rei posto", Lula disse que como vai deixar o governo em breve para Dilma Rousseff, "depois então talvez eu, que só tenho o quarto ano primário, quem sabe eu possa fazer o Pro-Une agora".

No início de seu discurso para os milhares de militantes do PCdoB reunidos no congresso nacional, o presidente brincou com a ministra Dilma, ao seu lado.

- A Dilma está doida para ficar no meu lugar - brincou Lula, mas depois falou sério.

- Dilma é quem vai poder conseguir dar continuidade ao nosso projeto - .

Repercutiu

"Achei realmente deselegante, para dizer o mínimo, o fato de o cantor ter chamado o presidente Lula de analfabeto, coisa que ele não é", afirmou o escritor Ricardo Lísias.

Além de sair em defesa de Lula, Ricardo Lísias criticou Fernando Henrique Cardoso. "Não concordo que ter FHC e depois Lula é algo bom. Eu acho FHC uma figura ornamental, um sujeito que se orgulha de falar inglês e francês, de ter doutorado, de ser professor da USP e que simplesmente fez um governo que só favoreceu a classe economicamente dominante. Tenho extrema antipatia por essa oligarquia de doutorado, que acha que sabe falar, o pessoal fino de Higienópolis."

"O leão(Caetano) está banguela, rugindo lugares comuns", opinou o ator Pascoal da Conceição.

Sexta-feira

Caetano destila preconceitos contra Lula em entrevista


Como esperado, houveram repercuções contrárias às declarações do cantor Caetano Veloso contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicadas ontem pelo Estado.

Em entrevista à jornalista Sonia Racy, Caetano anunciou sua opção pela candidatura da ex-petista Marina Silva e ofendeu o presidente Lula classificando-o como "analfabeto", "cafona" e "grosseiro". Em Londres, a assessoria de Lula disse ontem que o governo não vai se pronunciar sobre as declarações de Caetano.
"Não posso deixar de votar nela", disse o cantor. "Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla. É inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro", disse Caetano na entrevista.

Nessa entrevista, o Caetano deu mais uma prova de que não apenas o talento musical já o abandonou, mas também o senso de ridiculo! Em uma frase que combina preconceito com uma visão eminentemente elitista, não chega a ser uma novidade no repertório "frasistico" do cantor.

Já faz algum tempo que ele causa mais repercução pelas frases e declarações "polêmicas" do que pela sua música, que já há tempos passa por uma falta dae criatividade e talento de outros tempos.

O blog Amigos do Presidente Lula noticia uma informação que ajuda a explicar essa "indignação" do Caetano contra Lula, ao qual reproduzo abaixo:


Caetano Veloso, já era. Não vende mais CDs como antes, muito menos lota casas de shows onde tem se apresentado. Para repercutir na mídia a propaganda de seu show Zii e Zie, no Citibank Hall em São Paulo, Caetano partiu para o ataque a Lula. Sobre as mudanças propostas na Lei Rouanet, Caetano se esquiva: " Eu sou daquelas moças... não estudei direito", diz (Aqui)
Na verdade, ele está magoado com o ministro da cultura Juca Ferreira
"Sinceramente, nunca pensei a Lei Rouanet do ponto de vista da música popular. Sempre considerei o negócio da música muito bem-sucedido no Brasil. Não parecia precisar de incentivos maiores do que os que já tinha.."
As palavras são de Caetano Veloso, numa entrevista para uma revista, pouco antes de tentar mamar nas tetas do governo federal
Ele, no entanto, alguns meses depois, tentou se beneficiar da própria Lei Rouanet.Produtores do cantor apresentaram um projeto no ministério da Cultura, para captar dinheiro para o "Tour Caetano Veloso", no valor de R$ 2 milhões, para seus shows e gravação de CD "Zii e Zie", o mesmo nome do show que está hoje em cartaz em S.Paulo.
Na época, a comissão que analisa as propostas negou autorização para captação do dinheiro por entender que o projeto não precisa de incentivo por ser comercialmente viável.Ou seja, Caetano Veloso, está bravo. Não pode sugar as tetas do governo federal.

Humor

Autor: Santiago

Quinta-feira

América do Sul à beira do futuro


Depois de uma década à esquerda, a América do Sul está entrando numa zona de forte turbulência. Neste final de 2009, o Uruguai pode eleger para presidente da República, um homem do povo e ex-guerrilheiro tupamaro, e o Chile talvez eleja um bilionário arrogante e de direita, que lembra muito o primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi. Estamos há menos de um ano da reeleição dos presidentes da Bolívia e do Equador que se propõem mudar radicalmente a estrutura do Estado e da propriedade dos seus países, com objetivos socialistas, mas sem ruptura revolucionária. Em 2010, haverá eleições na Colômbia e no Brasil, e em 2011, no Peru e na Argentina.

Durante esta primeira década do século, as mudanças no continente foram apoiadas pela expansão econômica mundial, que também estimulou o projeto de integração América do Sul. Mas a crise financeira de 2008 provocou uma desaceleração do crescimento e do próprio projeto de integração econômica. E o projeto de integração política foi atingido em cheio pelo novo acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos, que autoriza o uso do território colombiano por forças militares norte-americanas, de onde poderão controlar o espaço aéreo da Venezuela, e de toda a América do Sul. Por isso, não é exagero dizer que o futuro da América do Sul, na primeira metade do século XXI, pode estar sendo decidido nestes próximos dois anos. E já é possível mapear as grandes disjuntivas e escolhas que estão no horizonte do continente sul-americano.

Em primeiro lugar, do ponto de vista econômico, o que se deve esperar para depois da crise é um aumento da pressão dos mercados internacionais e o aprofundamento da condição periférica e primário-exportadora da maioria dos países sul-americanos. Mesmo com o alargamento e diversificação dos seus mercados compradores, na direção da Ásia, e da China, em particular. Nesta nova conjuntura, só uma vontade política coesa e continuada poderá manter de pé o projeto de integração sul-americano. Isto supõe uma decisão de Estado e uma capacidade coletiva de manter sob controle os conflitos locais, a despeito das mudanças de governo. E supõe também, uma política conjunta de fortalecimento do mercado interno da América do Sul, com a redução da dependência regional das crises e das flutuações dos preços internacionais.

Neste ponto, não existe meio termo, porque os países dependentes da exportação de produtos primários, mesmo no caso do petróleo, nunca conseguirão comandar sua própria política macro-econômica, e muito menos ainda, a sua inserção na economia mundial. Em segundo lugar, do ponto de vista político, a crise econômica explicitou ainda mais as assimetrias e desigualdades nacionais e sociais que estão por trás da heterogeneidade política regional e que explicam, em parte, a falta de interesse ou de entusiasmo de alguns países do continente, pelo projeto sul-americanista.

Por fim, do ponto de vista da segurança continental, o aumento da presença militar americana na Colômbia serve para relembrar que a América do Sul seguirá por um bom tempo – e mesmo que não queira - sob a “proteção” do poder espacial, aéreo e naval dos EUA. E terá que ter uma enorme persistência e tenacidade para construir um sistema autônomo de segurança regional, sem produzir uma corrida armamentista dentro da própria região.

De qualquer forma, uma coisa é certa: o futuro do projeto sul-americano dependerá cada vez mais das escolhas brasileiras e da forma que o Brasil desenvolva suas relações com os Estados Unidos. Do ponto de vista econômico, a pressão dos mercados internacionais e as novas descobertas do petróleo da camada do pré-sal, também estão oferecendo para o Brasil, a possibilidade de se transformar numa economia exportadora de alta intensidade, uma espécie de “periferia de luxo” dos grandes potências compradoras do mundo, como foram no seu devido tempo, a Austrália e a Argentina, entre outros. Mas existe a possibilidade do Brasil escolher um outro caminho que combine seu potencial exportador, como uma estrutura produtiva industrial associada e liderada por uma economia mais dinâmica, como é o caso contemporâneo do Canadá, por exemplo. E além disto, existe uma terceira alternativa, absolutamente nova para o país, e que aponta de certa forma, para o modelo da estrutura produtiva norte-americana: com uma indústria extensa e sólida, e uma enorme capacidade de produção e exportação de alimentos e outras commodities de alta produtividade, incluindo o petróleo, no caso brasileiro.

Por outro lado, no campo político, depois da hegemonia das idéias neoliberais e privatistas, e do “cosmopolitismo subserviente”, no campo internacional, está se consolidando no Brasil, um novo consenso desenvolvimentista, democrático e popular, mas que neste caso, não tem nada a ver com socialismo. As perspectivas futuras desta coalizão de poder, entretanto, dependerão, em grande medida, da estratégia internacional dos próximos governos brasileiros. O Brasil pode se transformar num “aliado estratégico” dos Estados Unidos, da Grã Bretanha e da França, com direito de acesso à uma parte de sua tecnologia de ponta, como no caso do Japão, ou mesmo de Israel, que acessou à tecnologia atômica militar, com a ajuda da França. Mas o Brasil também pode escolher um caminho próprio de afirmação soberana e de expansão do seu poder internacional. E neste caso, se o Brasil quiser mudar sua posição geopolítica, obedecendo as “regras de jogo’ do sistema mundial, terá que desenvolver um trabalho extremamente complexo de administração contínua das relações de competição, conflito e complementaridade com os Estados Unidos, e com as demais potências, tomando com norte os seus próprios interesses econômicos e geopolíticos.

Numa disputa prolongada pela hegemonia da América do Sul, como se fosse uma “luta oriental” com os Estados Unidos. Caminhando através de uma trilha muito estreita e durante um tempo que pode se prolongar por várias décadas. Além disto, se o Brasil quiser liderar a integração soberana da América do Sul no mundo, terá que inventar uma nova forma de expansão econômica e política continental e mundial, sem “destino manifesto” nem vocação missionária, e sem o imperialismo bélico das duas grandes potências anglo-saxônicas.

Terça-feira

Um réquiem para FHC


Gilson Caroni Filho

As palavras são as armas. E foi acreditando em sua capacidade de manejá-las com destreza que Fernando Henrique Cardoso tentou atacar o presidente Lula em seu artigo publicado no jornal O Globo, do último domingo. Em sua vaidade desmedida, imaginava-se escrevendo um texto inaugural, um manifesto histórico capaz de desvendar a cena política, retirando a oposição do estado letárgico em que se encontra. O efeito foi exatamente o contrário.

O texto mal escrito, sem sentido em muitos parágrafos, revela um erro de cálculo político sem precedentes. Contrariando seus aliados, que desejavam vê-lo distante da campanha do PSDB para presidente em 2010, FHC trouxe para o próximo pleito a comparação entre a política econômica do governo e a da gestão petista: a única polarização que a direita não queria. Imaginando-se um estrategista, virou um fardo pesado para as possíveis candidaturas de José Serra e de Aécio Neves. Triste para o prestigiado sociólogo, deplorável para o experiente político.

Comparações são ociosas, mesmo porque cada polemista tem o seu tempo na história. Mas não é de hoje que o sonho do“"príncipe dos sociólogos" é ser um Carlos Lacerda redivivo. Vê a si próprio como um panfletário versátil e demolidor, capaz de usar as palavras como metralhadoras giratórias nas mãos de um guerrilheiro. O problema é que seu estilo é tosco e seus escritos ininteligíveis. Não é capaz de açular os medos da classe média, mesmo usando os velhos ingredientes que vão da ameaça de uma república sindicalista a um quadro incontrolável de corrupção. Não aprendeu que, sem o apoio das bases sociais que o acompanham, seu suposto prestígio pessoal conta pouco.

Para criar condições de instabilidade superestrutural não bastam editoriais, artigos e noticiários de jornalistas de direita. É preciso que as classes dominantes se encontrem excepcionalmente reunidas em torno de um só objetivo. Para isso, do outro lado, tem que haver um governo fragilizado, com escassa base de apoio, incapaz de promover crescimento econômico com redistribuição de renda. Reeditar uma“"Marcha da Família com Deus, pela liberdade" não é o troféu fácil que o voluntarismo pedante imagina.

Quando escreve que "é possível escolher ao acaso os exemplos de "pequenos assassinatos". Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira "nacionalista", pois, se o sistema atual, de concessões, fosse "entreguista", deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública", seu objetivo é tão claro como raso.

É uma volta ao passado como farsa. Aos tempos em que os nacionalistas lutavam por uma solução independente para extração e refino do petróleo, de importância estratégica para o desenvolvimento do país, enquanto os entreguistas definiam-se abertamente pela exploração do produto pelo capital estrangeiro. Claro que estamos tratando de realidades distintas no tempo e no espaço, mas a motivação da direita é idêntica. E é a ela que a inspiração de FHC se dirige, inebriado como se cavalgasse uma fulgurante carreira política. O desespero e o patético andam sempre de mãos juntas. Ainda mais se lembramos "quem cevou os facilitadores de negócios na máquina pública" no período que vai de 1994 a 2002.

Criticando o que chama de "autoritarismo popular", o candidato a polemista prossegue: "Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são "estrelas novas". Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam."

A recorrência aos riscos de uma república sindicalista mostra a linhagem golpista do artigo de FHC, mas a falta de prudência, indispensável para quem pensa estar escrevendo um novo Manifesto dos Coronéis, leva a indagações. O autoritarismo de mercado, marca do seu mandato, é exemplo de democracia? A era da ligeireza econômica, da irresponsabilidade estatal ante a economia fortalecia as instituições do Estado Democrático de Direito? Ou não seria exatamente o oposto? Um bloco de poder composto pelo agronegócio, grandes corporações midiáticas e uma burguesia desde sempre associada, que privilegiava a ampliação crescente das margens de lucro, ignorando os custos sociais que isso implicava. Qual a autoridade política do ex-presidente para interpelar o atual?

O que foi seu governo senão uma tentativa desastrosa de adaptar o aparelho de Estado às exigências criadas pelo neoliberalismo, contendo, a todo custo, as reivindicações dos trabalhadores do campo e da cidade? No final, com uma impopularidade recorde, a superestrutura política entrou em crise e os aliados contemplaram a rota de afastamento. É a isso que FHC nos convida a voltar?

Outra observação interessante pode ser extraída desse trecho: "Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas?". Aqui, o lacerdista frustrado ultrapassou qualquer limite da sensatez. Abriu o flanco, ao permitir a inversão da pergunta que faz.

Como destacaram, em 1997, Cid Benjamim e Ricardo Bueno, no "Dossiê da Vale do Rio Doce", "o Brasil levou 54 anos para construir e amadurecer esse gigantesco complexo produtivo. O governo FHC pretende vendê-lo, recebendo no leilão uma quantia que corresponderá, mais ou menos a um mês de juros da dívida interna". Em maio daquele ano, a Vale foi vendida pelo governo federal por R$ 3,3 bilhões. Em 2007, seu valor de mercado estava em torno de R$103 bilhões. Em nenhum outro período a máquina estatal foi usada para transferir recursos públicos para o capital privado como nos dois governos do tucanato. Foi a esse continuísmo que a população deu um basta em outubro de 2002.

O que se pode depreender das linhas escritas pelo tucano que queria ser corvo? FHC se especializou na arte do embarque em canoas onde o lugar do náufrago está antecipadamente destinado ao canoeiro de ocasião. Julgava estar redigindo um artigo que funcionaria como divisor de águas. Mas afundou junto com ele. Escreveu o seu próprio réquiem, levando junto velhos próceres do PSDB. Um trabalho e tanto. Extremamente apropriado para leitura no dia 2 de novembro.

Pescado na Carta Maior.

Quarta-feira

Em memória de Carlos Marighella


Carlos Marighella tombou na noite de 4 de novembro de 1969, em São Paulo, numa emboscada chefiada pelo mais notório torturador do regime militar. Revolucionário destemido, morreu lutando pela democracia, pela soberania nacional e pela justiça social.

Da juventude rebelde, como estudante de Engenharia, em Salvador, às brutais torturas sofridas nos cárceres do Estado Novo; da militância partidária disciplinada, às poesias exaltando a liberdade; da firme intervenção parlamentar como deputado comunista na Constituinte de 1946, à convocação para a resistência armada, toda a sua vida esteve pautada por um compromisso inabalável com as lutas do nosso povo.

Decorridos quarenta anos, deixamos para trás o período do medo e do terror. A Constituição Cidadã de 1988 garantiu a plenitude do sistema representativo, concluindo uma longa luta de resistência ao regime ditatorial. Nesta caminhada histórica, os mais diferentes credos, partidos, movimentos e instituições somaram forças.

O Brasil rompeu o século 21 assumindo novos desafios. Prepara-se para realizar sua vocação histórica para a soberania, para a liberdade e para a superação das inúmeras iniqüidades ainda existentes. Por outros caminhos e novos calendários, abre-se a possibilidade real do nosso País realizar o sonho que custou a vida de Marighella e de inúmeros outros heróis da resistência. Garantida a nossa liberdade institucional, agora precisamos conquistar a igualdade econômica e social, verdadeiros pilares da democracia.

A América Latina está superando um longo e penoso ciclo histórico onde ocupou o lugar de quintal da superpotência imperial. Mais uma vez, estratégias distintas se combinam e se complementam para conquistar um mesmo anseio histórico: independência, soberania, distribuição das riquezas, crescimento econômico, respeito aos direitos indígenas, reforma agrária, ampla participação política da cidadania. Os velhos coronéis do mandonismo, responsáveis pelas chacinas e pelos massacres impunes em cada canto do nosso continente, estão sendo varridos pela história e seu lugar está sendo ocupado por representantes da liberdade, como Bolívar, Martí, Sandino, Guevara e Salvador Allende.

E o nome de Carlos Marighella está inscrito nessa honrosa galeria de libertadores. A passagem dos quarenta anos do seu assassinato coincide com um momento inteiramente novo da vida nacional. A secular submissão está sendo substituída pelos sentimentos revolucionários de esperança, confiança no futuro, determinação para enfrentar todos os privilégios e erradicar todas as formas de dominação.

O novo está emergindo, mas ainda enfrenta tenaz resistência das forças reacionárias e conservadoras que não se deixam alijar do poder. Presentes em todos os níveis dos três poderes da República, estas forças conspiram contra os avanços democráticos. Votam contra os direitos sociais. Criminalizam movimentos populares e garantem impunidade aos criminosos de colarinho branco. Continuam chacinando lideranças indígenas e militantes da luta pela terra. Desqualificam qualquer agenda ambiental. Atacam com virulência os programas de combate à fome. Proferem sentenças eivadas de preconceito contra segmentos sociais vulneráveis. Ressuscitam teses racistas para combater as ações afirmativas. Usam os seus jornais, televisões e rádios para pregar o enfraquecimento do Estado. Querem o retorno dos tempos em que o deus mercado era adorado como o organizador supremo da Nação.

Não admitimos retrocessos. Nem ao passado recente do neoliberalismo e do alinhamento com a política externa norte-americana, nem aos sombrios tempos da ditadura, que a duras penas conseguimos superar.

A homenagem que prestamos a Carlos Marighella soma-se à nossa reivindicação de que sejam apuradas, com rigor, todas as violações dos Direitos Humanos ocorridas nos vinte e um anos de ditadura. Já não é mais possível interditar o debate retardando o necessário ajuste dos brasileiros com a sua história. Exigimos a abertura de todos os arquivos e a divulgação pública de todas as informações sobre os crimes, bem como sobre a identidade dos torturadores e assassinos, seus mandantes e seus financiadores.

Precisamos enfrentar as forças reacionárias e conservadoras que defendem como legítima uma lei de auto-anistia que a ditadura impôs, em 1979, sob chantagens e ameaças. Sustentando a legalidade de leis que foram impostas pela força das baionetas, ignoram que um regime nascido da violação frontal da Constituição padece, desde o nascimento, de qualquer legitimidade. E procuram encobrir que eram ilegais todas as leis de um regime ilegal.

Sentindo-se ameaçadas, estas forças renegam as serenas formulações e sentenças da ONU e da OEA indicando que as torturas constituem crime contra a própria humanidade, não sendo passíveis de anistia, indulto ou prescrição. E se esforçam para encobrir que, no preâmbulo da Declaração Universal que a ONU formulou, em 10 de dezembro de 1948, está reafirmado com todas as letras o direito dos povos recorrerem à rebelião contra a tirania e a opressão.

Por tudo isso, celebrar a memória de Carlos Marighella, nestes quarenta anos que nos separam da sua covarde execução, é reafirmar o compromisso com a marcha do Brasil e da Nuestra America rumo à realização da nossa vocação histórica para a liberdade, para a igualdade social e para a solidariedade entre os povos.

Celebrando a memória de Carlos Marighella, abrimos o diálogo com as novas gerações garantindo-lhes o resgate da verdade histórica. Reverenciando seu nome e sua luta, afirmamos nosso desejo de que nunca mais a violência dos opressores possa se realimentar da impunidade. Carlos Marighella está vivo na nossa memória e nas nossas lutas.

Brasil, 4 de novembro de 2009.

Antonio Candido
Fabio Konder Comparato, jurista, USP
Fernando Morais, escritor
João Capibaribe, ex- governador do Amapá, e senador
Emir Sader, sociólogo, presidente da Clacso
João Pedro Stedile, ativista do MST
Patrus Ananias, ministro do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
Frei Betto, escritor
Leonardo Boff, teólogo, escritor
Silvio Tendler, cineasta
Fabiana Ferreira, poeta
Ana De Holanda, cantora e compositora
Paulo Vanucchi, cientista político.
Eliana Rolemberg, socióloga
Sérgio Muniz - cineasta
Dilma Rousseff - economista
José Joffily. cineasta
Jorge Durán, cineasta
Manfredo Caldas - Documentarista
Marcio Curi - cineasta e produtor DF
Ronaldo Duque - cineasta
Maria Victoria Benevides, sociologa, professora da USP
Beth Carvalho, cantora e compositora
Paulo Betti, ator
Hildegard Angel, jornalista
Wagner Tiso, musico
Pedro Casaldaliga, bispo emerito, e poeta
Chico de Oliveira, sociologo
Antonio Cechin, irmão marista, catequista
Miriam Abramovay, socióloga
Jackson Lago , governador cassado do maranhao, e PDT-MA
Leandro Konder - filósofo

e muitos outros e outras, confira a lista completa e assine aqui: http://www.petitiononline.com/19692009/petition/html

Terça-feira

PT questiona contratação de empresa para melhorar imagem de Yeda


da Folha Online

O líder do PT na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, deputado Elvino Bohn Gass, questionou nesta terça-feira a contratação de uma empresa de comunicação para melhorar a imagem da governadora Yeda Crusius (PSDB) e "construir um modelo de governo para o partido".

Na avaliação do líder petista, há indícios de que a contratação da empresa afronte e legislação. "A Constituição Estadual é clara quando determina que a publicidade oficial deve ter caráter educativo e informativo, mesmo quando não custeada pelo Estado. Não vemos vestígios disso na contratação de uma empresa para mudar a imagem da governadora, que vem sendo muito mal avaliada pela população gaúcha", afirmou o deputado por meio de nota.

O PSDB do Rio Grande do Sul contratou a FSB Comunicações. Procurada pela reportagem, a empresa disse que não comenta os contratos firmados com seus clientes e indicou o secretário-geral do partido no Estado, Daniel Andrade, para falar sobre o assunto. A reportagem não localizou Andrade para comentar o assunto.

O líder petista disse que já encaminhou um pedido de informação para o Poder Executivo para saber se as viagens feitas a São Paulo pelo secretário de Planejamento e Gestão, Matheus Bandeira, para tratar com a FSB, conforme publicado no Diário Oficial, foram pagas pelo Estado ou pelo PSDB.

FHC e a maconha

Fernando, o riponga

Cynara Menezes

No final de 1985, todas as matérias de uma edição do extinto Planeta Diário terminavam com variações da frase: “Enquanto isso, o jovem Fernando Henrique Cardoso fumava um baseado e dizia: Não acredito em Deus”. Numa entrevista fictícia ao hilário tabloide criado por Hubert, Reinaldo e Cláudio Paiva, FHC dava outra variação sobre o tema: “Sou viciado em maconha e Deus é o ópio do povo”. Era, claro, gozação. Dias antes, o então senador do PMDB havia perdido a eleição para prefeito de São Paulo para Jânio Quadros por declarar algo semelhante em uma entrevista, real.

Quase 25 anos e dois mandatos como presidente depois, não deixa de ser curioso pensar nas implicações freudianas do fato de FHC ter abraçado agora justamente a causa da descriminação da maconha. E como decisão global, não só no Brasil. Reverência ao jovem Fernando Henrique, ao querer passar à história não como liberal, mas como liberador? Necessidade de chamar a atenção para uma causa em que de fato acredita? Ou para si próprio?

Ao lado dos também ex-presidentes Ernesto Zedillo (México) e César Gaviria (Colômbia), FHC criou em abril a ONG Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia. A partir daí, tem feito palestras, dado entrevistas e publicado artigos defendendo o tratamento em vez da repressão.

No britânico The Guardian, em setembro, escreveu que “é tempo de admitir o óbvio. A guerra contra as drogas falhou”, aplaudindo a iniciativa de alguns países de descriminar a possessão de pequenas quantidades de maconha. Fernando Henrique será ainda um dos protagonistas do documentário sobre redução de danos dirigido por Fernando Grostein Andrade (o mesmo de Coração Vagabundo, sobre Caetano Veloso).

Ao defender a descriminação do consumo pessoal, o documento elaborado pela ONG diz que “grande parte dos danos associados à maconha – da prisão e encarceramento indiscriminado de consumidores à violência e corrupção que afetam toda a sociedade – é o resultado das políticas proibicionistas vigentes”.

A iniciativa é inegavelmente bem-vinda, mas trata-se, no mínimo, de uma reviravolta na relação recente de FHC, sênior, com as drogas. Com o tempo, ele passou a renegar a declaração de outrora e a dizer que não tinha sequer fumado, mas apenas sentido o cheiro “horroroso” de um cigarrinho de maconha que alguém acendeu a seu lado na longínqua, louca e fashion Nova York. Ou seja, Fernando Henrique cheirou maconha e detestou. Pior do que seu amigo Bill Clinton, que fumou mas não tragou.

Durante oito anos na Presidência, tampouco mostrou-se interessado em pôr os dedos na chapa quente que é a discussão das drogas no Brasil. Ao contrário. O juiz Wálter Maierovitch (colunista de CartaCapital) deixou a Secretaria Nacional Anti-Drogas quando FHC resolveu seguir os passos de Clinton, adotando uma política repressiva. O tucano pediu ao então presidente do Congresso Aécio Neves que colocasse em regime de urgência um projeto de lei que tramitava havia dez anos na Casa.

Mas o projeto era tão conservador que o próprio presidente FHC vetou alguns trechos prevendo restrições absurdas aos usuários. “O Brasil acabou ficando com uma colcha de retalhos. No final do governo, ele publicou uma política de drogas que é cópia carbono de quinta da política norte-americana”, acusa Maierovitch, que enxerga oportunismo na adesão à causa. “Ao ver o sucesso internacional do Lula, ele pegou um tema polêmico e subiu no palanque”, ironiza. “Parece o quadro do (pintor flamengo Pieter) Brueghel, o velho: um cego guiando os outros ao abismo.”

Mais do que descriminar, o ex-secretário defende que o Brasil siga os passos de Portugal e transforme a posse de maconha para uso pessoal em infração administrativa, com pagamento de multa, como as de trânsito. Foi voto vencido no governo FHC. Os próprios companheiros de ONG do ex-presidente ficaram devendo o tema das drogas ao governar seus países.

Um ponto para Fernando Henrique em levantar o tema é lembrar que o Brasil está bem atrasado na questão. Na Argentina, em agosto, foi aprovada a descriminação da maconha. No Chile, é permitido o uso privado e se discute despenalizar o uso coletivo em estabelecimentos particulares. Informalmente, como a venda das sementes é liberada, muitos chilenos cultivam a planta em casa, ante a vista grossa das autoridades.

Há publicações especializadas à venda, como a revista Cañamo e o jornal de humor The Clinic, o Planeta Diário de lá, divulga livremente a celebração da colheita, conhecida no país como “abril, cogollos mil” ou “abril, camarões mil”, em referência à flor da planta, onde se concentra o princípio ativo. Para dar uma ideia do clima de tolerância que vive o ex-país de Pinochet sob Bachelet, durante a Marcha da Maconha de 2006 os ativistas soltaram balões cheios de sementes sobre o Palácio da Justiça.

Na Colômbia de Álvaro Uribe, uma nova lei foi aprovada descriminalizando a posse de pequenas quantidades tanto de maconha quanto de cocaína. Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama deixou de perseguir os usuários de maconha para fins terapêuticos como fazia seu antecessor George Bush, o que muitos veem como um primeiro passo para a legalização do uso recreativo da droga.

No Brasil, desde 2006 o uso da maconha foi despenalizado, o que significa que, se alguém for pego fumando um baseado ou com uma planta em casa não é mais preso. Pode, no máximo, ser condenado a prestar serviços à comunidade. Na descriminação, proposta por Fernando Henrique e outros, o simples ato de fumar maconha deixaria de ser crime. Os críticos da ideia argumentam que apenas a descriminação não resolveria o problema da violência, como diz FHC, porque deixaria a descoberto a venda e a produção.

“Não adianta só descriminar. Onde a pessoa vai poder comprar? É o tráfico que traz a violência. O ideal seria legalizar, porque permitiria o comércio e o plantio”, diz o sociólogo Renato Cinco, um dos líderes da Marcha da Maconha no País. A marcha, que acontece em maio no mundo inteiro, foi proibida em várias capitais brasileiras, à exceção do Rio, Porto Alegre, Recife e Florianópolis. Em Salvador, acontece excepcionalmente em dezembro graças a um habeas corpus. Os organizadores estão recorrendo ao Supremo Tribunal Federal (STF) para poder realizar marchas futuras em toda parte.

Politicamente, poucos têm comprado a briga pela descriminação das drogas. Fernando Gabeira já foi porta-voz dessa bandeira, mas, ao se candidatar ao governo do Rio, no ano passado, recuou. “Neste momento, eu não seria a favor da legalização. Foi uma discussão um pouco inútil, perdi energia”, declarou Gabeira, meio à maneira de FHC quando disse “esqueçam o que escrevi”.

Em artigo de 1998, o hoje deputado federal criticava o candidato à reeleição Fernando Henrique por, “contrariando sua dimensão intelectual”, assumir a “paranoia americana”. Segundo o Gabeira de onze anos atrás, o FHC presidente seguia “seu caminho conservador e cínico (porque não acredita nele), sabendo que agrada simultaneamente aos norte-americanos e à maioria dos eleitores”.

O próprio Fernando Henrique tem dito que sua defesa da maconha não é em relação ao uso, que considera ter “um impacto negativo sobre a saúde”, nem mesmo é política, mas intelectual. É uma abordagem interessante, porque, se tem sido evitado pela classe política, por medo, o tema sofre o desinteresse dos pensadores.

Sabe-se que pelo menos dois grandes nomes das Ciências Sociais no Brasil experimentaram, tragaram e gostaram de maconha. Nas notas para Casa-Grande e Senzala, Gilberto Freyre narra as sensações após fumar um baseado. “Já fumamos a macumba ou diamba. Produz realmente visões e como um cansaço suave; a impressão de quem volta cansado dum baile, mas com a música ainda nos ouvidos”, depõe.

No livro Minhas Mulheres, Meus Homens, o escritor Mário Prata revela que Sérgio Buarque de Holanda, o autor de Visão do Paraíso (não confundir com Paraísos Artificiais, escrito sob influência do haxixe por Charles Baudelaire), fumou maconha até a velhice. Prata conta que na sala dos Buarque de Holanda, lá pelos idos de 1973, havia um pequeno elefante de prata com furinhos nas costas onde a irmã de Chico, Miúcha, deixava uns baseados prontos.

Um dia, antes de irem a um show, Prata foi fumar um com Miúcha e cinco cigarrinhos ficaram no elefante, na banqueta ao lado do velho historiador. “Depois do show, (...) passamos lá de novo para mais um tempinho de abertura de apetite. O professor havia fumado os cinco cigarros como se Minister fossem”, escreveu. Mais tarde, Miúcha diria a Prata: “Na verdade o papai não era maconheiro. Era exibicionista! Gostava de fumar maconha quando tinha visita”.

Hoje, só quem tem dado a cara a tapa (literalmente) numa discussão mais intelectualizada sobre a maconha é a atriz Maria Alice Vergueiro, dublê de filósofa do baseado e estrela do documentário Tapa na Pantera. Maria Alice não vê convicção em FHC pela liberação da maconha. “Ele aderiu a uma discussão que já está ocorrendo no mundo, porque quando era presidente não fez nada”, opina a atriz, defensora do uso e do autoplantio, assim como da liberação do uso terapêutico para portadores de moléstias, como o glaucoma. “Tenho 74 anos e muitas moléstias”, brinca.

Talvez o grande mérito de FHC nesta cruzada pela descriminação do seu quase xará, o THC (tetraidrocanabinol, o princípio ativo da maconha), esteja mesmo em atiçar os pensadores brasileiros, e não só juristas, médicos e políticos, para que se debrucem sobre o tema. Sem hipocrisia.

Pescado na Carta Capital

Segunda-feira

Costa-Gavras: "A América-Latina está se libertando dos EUA"


O realizador grego-francês Costa-Gavras, que denunciou em célebres filmes como "Estado de Sítio (1972)" e "Desaparecido" (1982) a mão invisível dos Estados Unidos na política latino-americana, confessa agora sua alegria pelo fato de "a América Latina estar, enfim, se libertando dos Estados Unidos". Em entrevista à imprensa espanhola, ele diz que tem admiração especial pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
"Na minha geração, vimos como os EUA controlavam tanto ditaduras como democracias na América Latina. O primeiro que teve a valentia de enfrentá-lo foi Fidel Castro e Cuba pagou e está pagando muito caro por isso", diz, em uma entrevista à imprensa madrilenha o diretor.

"Outros encontraram outras maneiras de fazer isso. E, em mim, o que mais admiração desperta é Lula da Silva. Há países que, ao contrário, parece que nunca sairão desta situação, como o México", assinalou.

Agora, o diretor, que oferecera uma refrescante análise da ditadura de Augusto Pinochet no Chile e se aproximara da realidade dos guerrilheiros tupamaros no Uruguai, retorna para os problemas europeus no Éden à l'Ouest, estrelado pelo ator italiano Riccardo Scamarcio. Na América Latina, de acordo com ele, já criaram a sua própria voz. "Sem dúvida, Argentina, Brasil e Peru estão oferecendo um dos melhores cinemas sociais do momento", disse ele, que deu o Urso de Ouro para Tropa de Elite, DE José Padilha, quando presidiu o júri do Festival de Berlim em 2007.

Apesar de seu otimismo sobre a política latino-americana, Costa-Gavras mostra decepção com a dormência social no mundo em geral. "A sociedade tem ido de mal a pior. Antes, ao menos havia esperança ", explica ele que, talvez por este sentimento de desilusão, tenha decidido imprimir um tom de fábula mágica a seu novo filme.

"Tudo mudou radicalmente e eu também envelheci muito", disse, com mais firmeza que melancolia. "Nos sessenta e setenta podíamos ter posições claras. Havia dois grandes blocos e escolher um deles, filosoficamente, marcada já o caminho", coloca. "Hoje, se fala de duas ideias muito básicas, como a liberdade e a democracia, como se elas pudessem resolver todos os problemas. Mas a democracia se banalizou absolutamente. O mundo está dirigido pelas grandes empresas", assegura ele.

À procura de uma nova linguagem para os novos tempos, Eden à l'Ouest aborda a migração de uma perspectiva diferente. "Eu queria mostrar não o imigrante como um portador de drama e tragédia, mas como alguém que traz luz para os povos desse mundo supostamente mais rico", explica ele. Assim, Elias, o protagonista, se mascara no magnetismo sexual do ator italiano Riccardo Scamarcio que, desde que desembarca nas ilhas gregas até chegar a Paris, atua como um catalisador para os problemas emocionais que emergem no bem-estar.

"Há tanta solidão de um lado como do outro", diz o diretor. E garante que, em Eden à l'Ouest, decidiu se concentrar mais em pessoas comuns que no poder. No entanto, "ninguém como indivíduo pode dar solução ao problema da migração", sentencia. "O máximo que podemos fazer é, como acontece no filme, dar-lhes um casaco, almoço ou na cama. A verdadeira responsabilidade cabe aos governos." Costa-Gavras, que, a exemplo de cineastas como Roman Polanski, desenvolveu um tipo de cinema itinerante, admite que a sua decisão de escolher a nacionalidade de um filme depende apenas da história.

"Eu faço o filme no país em que me deixem fazer o que eu quero e com meus meios. Se não, eu não faço ", disse o cineasta que, para Éden à l'Ouest, contou com dinheiro da França, Itália e Grécia. O próximo alvo de sua denúncia ainda é indefinido. "Infelizmente, ainda há muitas histórias a serem contadas. Eu só tenho que ver o que posso contar melhor".


Fonte: Cuba Debate

Blogueiros discutem os rumos da mídia


Cinco dos principais nomes da blogosfera independente brasileira estarão em Brasília, entre os dias 26 e 30 de outubro, para discutir com estudantes de comunicação e profissionais da imprensa o papel das novas mídias. À frente de blogs campeões de audiência, Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif, Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna e Marco Weissheimer vão conversar sobre a importância das novas mídias.

Esse time vem promovendo, na internet, um amplo debate sobre a qualidade da informação oferecida pelas mídias tradicionais, servindo como paradigma na mediação entre público e notícia. Os cinco jornalistas foram convidados a falar da internet como alternativa de informação para o público, o novo mundo das redes sociais, a crise da mídia corporativa e o exercício da cidadania online.

O ciclo de palestras será gratuito e realizado no auditório principal do IESB, no Campus Edson Machado, na Asa Sul, em Brasília, das 19h às 21h30, e é uma iniciativa da própria instituição, uma das mais respeitadas da capital federal, em conjunto com a Escola Livre de Jornalismo. O objetivo é estimular estudantes de comunicação e jornalistas a debater os rumos da chamada grande imprensa e a conhecer o pensamento crítico de alguns dos principais nomes da blogosfera independente.

Segundo o jornalista Paulo Henrique Amorim, responsável pelo site Conversa Afiada, o grupo é a “Armata Brancaleone” da blogosfera brasileira, uma definição bem humorada, mas que revela o poder de influência que exercem sobre parcela significativa dos formadores de opinião no Brasil.

“Eles são uma das principais redes informais de blogs independentes, cuja missão primordial tem sido a de ser o ‘grilo falante’ da mídia tradicional corporativa, até então um poder hegemônico”, afirma o jornalista Leandro Fortes, repórter da revista CartaCapital e um dos fundadores da Escola Livre de Jornalismo, ao lado do jornalista Olímpio Cruz Neto, entidade voltada à formação de novos profissionais da imprensa. Junto com o IESB, a Escola Livre de Jornalismo é responsável pela organização do ciclo de palestras. “Unir esses jornalistas é uma oportunidade histórica para aqueles que querem falar sobre os rumos da comunicação social brasileira”, afirma Olímpio Cruz Neto.

Os cinco jornalistas convidados vêm sendo requisitados a participar de palestras e debates, Brasil afora, para falar sobre a função crítica emergente dos blogs. O papel desses novos meios tem modificado as relações entre público e mídia no país e forçado os veículos de comunicação a se adaptarem aos novos tempos. Afinal, agora, leitores atuam não apenas como consumidores de notícias, mas fiscais da imprensa, interagindo com editores e jornalistas em tempo real.

26/10 - Paulo Henrique Amorim – Jornalista com mais de 30 anos de experiência, mantém o blog Conversa Afiada, um ambiente de fluxo constante de textos entrecortados de crítica e informação. Dono de uma verve sarcástica e bem humorada, Amorim tornou-se uma referência de acompanhamento e vigilância dos erros e das manipulações da mídia, além de tratar com grande propriedade das mazelas gerais do cotidiano brasileiro. Atualmente, trabalha na Rede Record de Televisão, mas teve passagens pela Rede Globo, Rede Bandeirantes, UOL, Veja e Jornal do Brasil.


27/10 - Luiz Carlos Azenha – Veterano no uso da internet como ferramenta de comunicação desde os tempos em que era correspondente da TV Globo nos Estados Unidos, Azenha mantém está à frente de um dos blogs mais ecléticos da blogosfera brasileira, o Vi o Mundo. Trata-se de um espaço permanente de debates e idéias, com formato e dinâmica de uma revista eletrônica, permeado por artigos, reportagens e vídeos. O blog vem tratando de temas relevantes, como campanhas de prevenção a Aids e análises de conjuntura política e social. Azenha tem sido um crítico incansável do mau jornalismo praticado, em grande escala, por parte da mídia brasileira. Atualmente, é repórter da Rede Record e documentarista independente.

28/10 - Luís Nassif – Pioneiro no mundo do jornalismo eletrônico, foi um dos primeiros profissionais da imprensa brasileira a compreender a dimensão e a força da internet como meio realmente democrático de comunicação. Há dois anos, lançou-se, em seu Blog do Nassif, em uma guerra solitária ao escrever uma série de análises jornalísticas sobre a revista Veja, da Editora Abril, obra ainda em progresso. Essa iniciativa serviu para popularizar o espaço dos blogs como ambiente de discussão, crítica e fiscalização da mídia brasileira. Jornalista econômico respeitado, Nassif tem mais de 30 anos de profissão e é criador e editor-chefe da Agência Dinheiro Vivo e comentarista da TV Brasil. Antes, foi colunista e membro do conselho editorial do jornal Folha de S.Paulo, tendo iniciado a carreira na revista Veja.

29/10 - Rodrigo Vianna – O blog de Vianna, Escrevinhador, tornou-se uma voz ativa e analítica da realidade e do jornalismo brasileiro. Repórter por excelência, é dono de um texto irônico e, em muitos aspectos, divertido, cuidadosamente montado a partir de idéias e informações. Vianna faz da crítica midiática uma missão do blog. Atualmente, é repórter da Rede Record de Televisão, depois de longa experiência na TV Globo.

30/10 - Marco Weissheimer – Foi graças ao blog de Marco Weissheimer, o RS Urgente, que o cidadão do Rio Grande do Sul pode sair da escuridão midiática na qual tem sido mantido, ao longo de três décadas, por conta da hegemonia de um só grupo de comunicação social, a mandar em praticamente em todos os veículos jornalísticos do estado. Foi o blog de Weissheimer que primeiro deu visibilidade e, posteriormente, conseqüência às denúncias de corrupção que envolvem, no Rio Grande do Sul, a governadora Yeda Crusius. Por causa disso, o RS Urgente virou referência crítica e noticiosa imprescindível no Sul, sobretudo para os jornalistas gaúchos.

Carta Maior

Sexta-feira

Pearl Jam e R.E.M lideram protesto contra o uso de músicas em torturas


Bandas de rock, militares da reserva e ativistas de esquerda se uniram, nos Estados Unidos, para apoiar a intenção do presidente Barack Obama de fechar a prisão de Guantánamo. Bandas como Pearl Jam e R.E.M. integram a campanha nacional pelo fechamento da base. Os dois grupos também encabeçam uma petição para que o governo dos EUA divulgue se usou suas músicas para torturar presos da base militar em Cuba, como denunciaram diversas organizações internacionais.


A iniciativa é apoiada pela ONG britânica Reprieve, especializada na assistência legal a presidiários. A entidade usará da lei de liberdade de acesso à informação (FOIA, na sigla em inglês) vigente nos EUA desde 1966, para saber se as músicas foram de fato utilizadas durante sessões de tortura.

Entidades como a Anistia Internacional (AI) denunciaram em várias ocasiões que os presos de Guantánamo foram torturados com o uso de música em volumes altíssimos, além de receberem castigos físicos - simulação de afogamento, por exemplo.

"Apoiamos esta campanha como demonstração de nosso completo apoio ao presidente (dos Estados Unidos, Barack) Obama e aos líderes militares que pediram o fim das torturas e o fechamento de Guantánamo. Enquanto Guantánamo continuar aberta, o legado dos EUA ao redor do mundo continuará sendo a tortura", diz o REM em comunicado.

O trio americano se solidarizou com colegas músicos cujas canções também podem ter sido usadas como parte das táticas de tortura praticadas em Guantánamo "sem seu conhecimento ou consentimento".

"Sob a administração Bush-Cheney, a tortura com música foi algo normal em Guantánamo e nas prisões secretas que os EUA mantinham no Iraque, Afeganistão e em outros lugares do mundo", denuncia a ONG Reprieve em comunicado.

Segundo a organização, uma das técnicas mais utilizadas era executar músicas em um volume alto o suficiente para provocar danos nos tímpanos por vários meses, uma prática que ainda não figura como proibida no manual do Exército americano.

O pedido formal de acesso a essas informações deve chegar nesta quinta-feira à CIA (agência de inteligência americana), ao FBI (Polícia federal dos EUA), ao Departamento de Defesa e ao Departamento de Forças Especiais, entre outros organismos.

"O uso de música ensurdecedora durante muito tempo para prejudicar os prisioneiros é obscena e contrária aos valores americanos e britânicos", destacou a diretora da Reprieve, Clare Algar. Entre os artistas que se juntaram a este pedido estão Trent Reznor (Nine Inch Nails), Jackson Browne, Rise Against, Rosanne Cash, Billy Bragg e The Roots.

"Em Guantánamo, o governo norte-americano transformou um toca-discos em um instrumento de tortura", disse Thomas Blanton, diretor executivo da organização não-governamental independente. Com base nos documentos publicados e em entrevistas com detentos libertados, a entidade afirma que entre a música utilizada com fins de tortura estavam obras de AC/DC, Britney Spears, Bee Gees, Marilyn Manson e outros.

Um informe de novembro de 2008 da Comissão de Forças Armadas do Senado sobre o tratamento aos prisioneiros mencionou várias vezes o uso de música alta em meio a interrogatórios. Em um caso, os investigadores usaram música contra o mauritano Mohamedou Ould Slahi em Guantánamo.

Segundo as crenças religiosas de Slahi, a música deveria ser algo proibido. Durante dez dias de julho de 2003, Slahi foi interrogado e ao mesmo tempo submetido "à luz de variada intensidade" e a uma canção chamada "Let the Bodies Hit the Floor", da banda Drowning Pool, segundo a entidade.

Uma porta-voz da Comissão Conjunta de Guantánamo, Diana Haynie, afirmou que a música estridente não é usada contra os detentos desde o terceiro trimestre de 2003.

Por Vermelho, com agências.

Quinta-feira

Jamais nos Calarão!!


Henrique Porto Lusa "Pulga"

O Rio Grande do Sul vive um verdadeiro estado de sítio; os movimentos sociais são criminalizados; e a tentativa de intimidação é clara a todos os setores que se opõem a este governo corrupto do PSDB.

A intimidação por parte do governo se dá de duas formas distintas. Primeiramente, pelo aparato institucional da Brigada Militar, que reprime e criminaliza as mobilizações sociais, como se voltassemos aos anos de chumbo, quando lutar por direitos era crime passível de pena de morte. O segundo ato de terrorismo governista, se dá por ameaças a agressões a militantes e lideranças sociais. Ontem, em plena votação do processo de impeachment da governadora, na assembléia legislativa do Rio Grande do Sul, tornei-me vítima de um destes atentados do governo Yeda.Fui agredido físicamente por parte de um " leão de chacará" adesivado com os dizeres " Yeda faz o Rio Grande Crescer".

Não fui o único a sofrer este tipo intimidação por pessoas ligadas a partidários do governo. Recentemente, ao sair de um estacionamento, a presidenta do CPERS-sindicato foi agredida por um indivíduo que dirigia um carro sem placas. Com um porrete de plástico, o tal cidadão desferiu-lhe um golpe nas pernas, fugindo em seguida.

Outro exemplo das práticas ortodoxas do atual governo é o recente caso do colono sem terra Elton Brum, que foi assassinado pelas costas, com um tiro de calibre 12 disparado por um membro da Brigada Militar, em São Gabriel, durante a desocupação de terra na fazenda Southal. Até hoje, o matador não foi penalizado.

Nós, militantes dos movimentos sociais, deixamos claro que este tipo de abordagem jamais nos calará, mesmo tendo sido sufocado o grito de indignação de um companheiro como Elton Brum, que foi morto por este governo. O silênciamento desta voz ecoará constantemente nas consciência de cada militante dos movimentos sociais do RS, incentivando a justa luta pela cidadania e pela igualdade de direitos.

Não recuaremos nem um passo na denúncia da corrupção deste governo. Não há qualquer tentativa de intimidação, por parte de quem quer que seja, que nos cale. Nossa consciência não se amedronta e continuará a guiar os nossos atos sempre em oposição ao descaso com as políticas para a educação pública e para com os mais pobres.

Nem um passo atrás. O Rio Grande do Sul precisa de nossa coragem para enfrentar a corrupção e aqueles que dela beneficiam-se. Não tentem nos calar.

"Os poderosos podem matar uma ou duas rosas, mas jamais deterão a primavera" - Che Guevara.

Henrique Porto Lusa "Pulga" - Coordenador Geral da UEE/Livre.

Quarta-feira

Governadora apela à autovitimização para não explicar fraudes

O vice-líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa, Raul Pont, considera que o pronunciamento da governadora Yeda Crusius, na manhã desta quarta-feira (21), tem o claro objetivo de promover sua autovitimação para sensibilizar a opinião pública. Na avaliação do parlamentar, o resultado da votação do pedido de impeachment era o esperado pela sociedade, já que o governo detém a maioria na Assembleia Legislativa, e não significa, de forma alguma, que as suspeitas de participação da governadora em fraudes tenham sido afastadas. “O arquivamento aconteceu a despeito das inúmeras evidências que mostram que, no mínimo, a governadora se omitiu em relação ao esquema montado no Detran”, frisou.

Pont afirmou, ainda, que a entrevista concedida por Yeda trouxe à tona uma terceira versão para a compra da mansão da governadora. “Agora, a governadora diz que pagou RS 500 mil pelo imóvel, ou seja, R$ 50 mil sumiram da transação. E que o restante foi parcelado, contradizendo duas versões anteriores: uma que apontava para a contratação de um empréstimo e outra para o pagamento de R$ 550 mil”, apontou.

Segundo o líder do PT, há uma quarta versão para a compra da mansão nos documentos que integram a ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal. “Se a relatora do processo do impeachment tivesse consultado o material, teria se deparado com a versão do ex-marido de Yeda, Carlos Crusius, que é diferente das demais”, revelou.

Para o deputado, a governadora menospreza a sociedade gaúcha ao afirmar que não errou em relação ao Detran. “Ela foi informada da situação em fevereiro de 2007 por Lair Ferst e Flavio Vaz Netto e a única providência que tomou foi trocar as fundações para dar manter o esquema fraudulento. Não apurou a responsabilidade de Carlos Ubiratan dos Santos, presidente do Detran durante o governo que antecedeu o seu, é só afastou Vaz Netto por decisão judicial”, frisou.

Para o deputado, não há vitórias para a governadora e sua base aliada comemorar. “A menos que considerem a fraude no Detran, a fraude do relatório que concluiu pelo arquivamento do impeachment e a fraude apurada pela Operação Solidária motivos para celebrações”, emendou.

Pont lembrou que o governo gaúcho ainda tem que dar muitas explicações sobre os fatos apurados pela Operação Solidária, que desvendou irregularidades em licitações sob a responsabilidade do Estado. “Assessores que falavam em nome da governadora, como Delson Martini, Walna Meneses e Chico Fraga, estão diretamente implicados. Além disso, há fortes evidências de participação de integrantes de todos os partidos da base aliada no esquema fraudulento. É impossível que continuem a agir como se nada estivesse acontecendo no Estado”, finalizou.

Fonte: PT Sul